Para onde foi o meu dinheiro? O diagnóstico de 3 meses, passo a passo
Neste guia
- Por que olhar 3 meses, e não só um
- Antes de começar: o que separar
- Passo 1: some tudo o que entrou
- Passo 2: separe as saídas em três grupos
- Passo 3: some cada grupo e tire a média
- Passo 4: procure os vazamentos
- Passo 5: leia o resultado sem culpa
- Erros comuns no diagnóstico
- Quanto tempo leva
- As perguntas que o diagnóstico responde
- E depois do diagnóstico?
Você recebe, paga as contas, vive o mês e, quando chega o fim, não sabe dizer para onde foi o dinheiro. Isso acontece com muita gente, inclusive com quem ganha bem. E não tem a ver com falta de disciplina: quase sempre é falta de enxergar.
Antes de cortar gastos, montar orçamento ou pensar em investir, existe um passo que vem primeiro: o diagnóstico. É ele que mostra, com números, como o seu dinheiro se comporta na prática. Sem diagnóstico, qualquer plano é chute.
Por que olhar 3 meses, e não só um
Um mês sozinho engana. Pode ter sido o mês do conserto do carro, do aniversário de alguém da família, da viagem, do remédio que não estava nos planos. Se você olhar só esse mês, vai achar que gasta muito mais do que gasta. Se olhar um mês calmo, vai achar que está tudo bem quando não está.
Com três meses, os extremos se diluem e aparece o seu padrão: o quanto você realmente gasta com mercado, com transporte, com lazer. É esse padrão que interessa, porque é ele que se repete.
Antes de começar: o que separar
O diagnóstico só funciona se estiver completo. Junte, dos últimos três meses:
- O extrato de todas as contas que você usa, não só a principal. A conta digital que você usa para o Pix do dia a dia também conta.
- A fatura de todos os cartões de crédito. É aqui que mora boa parte dos gastos esquecidos, principalmente as parcelas.
- Os gastos em dinheiro vivo, se você ainda usa. Uma estimativa já ajuda.
Se você divide as contas da casa com alguém, combine antes se o diagnóstico vai ser só seu ou da casa inteira. Os dois funcionam, desde que você saiba qual está fazendo.
Passo 1: some tudo o que entrou
Comece pelo lado mais fácil. Some o salário, a renda extra, o que você recebeu de freelas, aluguel ou qualquer outra entrada. Use sempre o valor líquido, o que de fato caiu na conta, e não o salário bruto do contracheque.
Se a sua renda varia de um mês para outro, anote cada mês separado e tire a média. É com a média que você vai trabalhar.
Passo 2: separe as saídas em três grupos
Agora vem o coração do diagnóstico. Cada gasto vai para um destes três grupos:
Gastos essenciais
O que você precisa para viver e trabalhar: moradia, alimentação básica, água, luz, gás, internet, celular, transporte, farmácia e saúde, educação. Se você deixasse de pagar, a sua vida pararia de funcionar.
Gastos não essenciais
O que deixa a vida melhor, mas não é obrigatório: restaurante, delivery, lazer, assinaturas de streaming, compras de roupa, cuidados pessoais, presentes. Não tem nada de errado com esses gastos. O problema só aparece quando eles crescem sem você perceber.
Investimentos e dívidas
O que você guarda para o futuro, como reserva de emergência e investimentos, e o que você paga de dívidas: parcela de empréstimo, financiamento, acordo de pagamento.
Na dúvida sobre onde colocar um gasto, pergunte: se eu ficasse sem isso no mês que vem, a minha rotina pararia? Se sim, é essencial. Se não, é não essencial.
Transferência entre as suas próprias contas não é gasto, é dinheiro mudando de lugar. O pagamento da fatura do cartão também não entra como gasto, porque as compras da fatura já foram contadas uma a uma. Contar os dois é o erro mais comum, e faz parecer que você gastou o dobro.
Passo 3: some cada grupo e tire a média
Some cada grupo em cada mês e depois tire a média dos três meses. No fim, você vai ter uma fotografia como esta:
| Entradas | R$ 8.000 |
|---|---|
| Gastos essenciais | R$ 4.100 |
| Gastos não essenciais | R$ 2.350 |
| Investimentos e dívidas | R$ 900 |
| Sobra no mês | R$ 650 |
Só essa tabela já responde a pergunta que você fazia no fim de cada mês. Agora você sabe para onde o dinheiro vai, em números.
Passo 4: procure os vazamentos
Dentro de cada grupo, procure o que se repete. Quantas vezes apareceu o delivery? Quantas assinaturas estão ativas? Quantas parcelas pequenas estão rodando ao mesmo tempo no cartão? São os chamados vazamentos: gastos pequenos que, sozinhos, parecem nada, e somados fazem diferença no mês.
Não tente resolver todos agora. Só anote. Na hora de ajustar, você vai escolher por onde começar. Tem um guia inteiro sobre vazamentos aqui no blog.
Passo 5: leia o resultado sem culpa
O diagnóstico não é uma prova, e não existe nota certa. Ele mostra uma de três situações:
- Sobra dinheiro, mas você não sabia. Ótimo ponto de partida. O próximo passo é dar destino para essa sobra antes que ela suma, começando pela reserva de emergência.
- Fica zero a zero. Você vive no limite, e qualquer imprevisto vira dívida. O foco é achar um ou dois vazamentos para abrir espaço, mesmo que pequeno.
- Falta dinheiro. Os gastos passam da renda, e a diferença está vindo do cartão, do cheque especial ou de empréstimo. O primeiro passo é proteger o essencial e parar de piorar: sair do rotativo e do cheque especial antes de qualquer outra coisa.
Seja qual for o seu caso, você saiu da adivinhação. E é a partir daqui que dá para decidir.
Erros comuns no diagnóstico
- Olhar só um mês. Como vimos, um mês engana.
- Esquecer um cartão ou uma conta. O diagnóstico incompleto mostra um mês melhor do que o real.
- Contar a mesma coisa duas vezes. Pagamento de fatura e transferência entre as suas contas não são gastos.
- Tentar mudar tudo no mesmo dia. O diagnóstico é para enxergar. Os ajustes vêm depois, um de cada vez.
- Se culpar. Ninguém aprende isso na escola. Dinheiro é comportamento, e comportamento se ajusta com o tempo.
Quanto tempo leva
Feito à mão, com planilha ou papel, o diagnóstico de três meses leva de duas a quatro horas, dependendo de quantas contas e cartões você tem. Parece muito, mas é um trabalho que você faz uma vez para entender o seu padrão. Depois, acompanhar o mês leva minutos por semana.
Se fizer à mão, divida em etapas: num dia, junte os extratos e as faturas; no outro, separe os gastos nos três grupos; no terceiro, some e leia o resultado. Tentar fazer tudo de uma vez é o jeito mais rápido de desistir no meio.
As perguntas que o diagnóstico responde
Ao terminar, você deve conseguir responder, com números, a estas perguntas:
- Quanto eu gasto, em média, por mês para viver?
- Quanto da minha renda vai para o essencial?
- Qual é o meu maior gasto não essencial?
- Quanto eu pago de parcelas e dívidas todo mês, e até quando?
- Sobra, empata ou falta dinheiro no fim do mês?
Se alguma delas ainda não tem resposta, volte ao passo em que ela deveria ter aparecido. Quase sempre é um cartão ou uma conta que ficou de fora.
- Extratos de todas as contas dos últimos 3 meses
- Faturas de todos os cartões dos últimos 3 meses
- Entradas somadas pelo valor líquido
- Cada gasto em um dos três grupos
- Transferências entre contas e pagamento de fatura fora da conta
- Média de cada grupo calculada
- Vazamentos anotados, sem cortar nada ainda
E depois do diagnóstico?
Com os números na mão, o próximo passo é transformar o diagnóstico em plano: decidir, antes de o salário cair, quanto vai para cada grupo. É o que a gente chama de dar destino para cada real, e está explicado no guia Dê um destino para cada real.