Dê um destino para cada real: como montar o orçamento do mês sem receita pronta
Neste guia
- Por que a receita pronta nem sempre serve
- Passo 1: comece pelo diagnóstico
- Passo 2: garanta os gastos essenciais
- Passo 3: guarde primeiro, no dia do salário
- Passo 4: dê limite aos gastos não essenciais
- Passo 5: coloque as parcelas e as dívidas no plano
- Passo 6: compare o previsto com o realizado toda semana
- E se a minha renda varia todo mês?
- Orçamento a dois
- Quando o mês sai do plano
Existe uma frase que resume o método: quem não decide para onde o dinheiro vai, descobre depois para onde ele foi. Orçamento é isso. É decidir antes de o salário cair o que cada real vai fazer no mês.
Por que a receita pronta nem sempre serve
Você provavelmente já ouviu falar de regras de porcentagem, como gastar metade da renda com o essencial e guardar uma fatia fixa. Elas parecem práticas, mas a vida de cada um é diferente. Quem mora de aluguel numa capital tem um custo de moradia que não cabe em nenhuma porcentagem pronta. Quem mora com os pais tem outro cenário. Quem tem filhos, outro.
Por isso, o ponto de partida aqui é o seu número, e não uma regra genérica. Primeiro você entende como o seu dinheiro se comporta. Depois decide como quer que ele se comporte.
Passo 1: comece pelo diagnóstico
O orçamento nasce do diagnóstico dos últimos 3 meses. A média de cada grupo vira o seu ponto de partida, o seu primeiro previsto. Se você ainda não fez, comece pelo guia Para onde foi o meu dinheiro?.
Usar a média real evita o erro mais comum de quem monta orçamento pela primeira vez: colocar valores ideais, que nunca se realizaram, e desistir no primeiro mês porque nada bateu.
Passo 2: garanta os gastos essenciais
Moradia, alimentação, contas da casa, transporte, saúde. Esses vêm primeiro no orçamento porque não podem faltar. Coloque o valor médio de cada um e veja quanto da renda eles ocupam.
Se o essencial já consome quase tudo, o trabalho do mês é revisar contrato por contrato: plano de internet e celular, que dá para renegociar uma vez por ano, a lista e o limite do mercado, o transporte.
Passo 3: guarde primeiro, no dia do salário
Esta é a mudança que mais faz diferença. Em vez de esperar o que sobrar no fim do mês para guardar, você guarda no começo, no mesmo dia em que o salário cai. Quem espera sobrar quase nunca guarda, porque o dinheiro disponível sempre encontra um uso.
- Defina um valor fixo, mesmo que pequeno. Constância importa mais do que valor.
- Deixe automático: agende uma transferência para o dia do salário.
- Use uma conta separada, para o dinheiro guardado não se misturar com o do dia a dia.
Passo 4: dê limite aos gastos não essenciais
Com o essencial garantido e o valor de guardar separado, o que sobra é o espaço dos gastos não essenciais. Divida esse espaço por categoria, como lazer, delivery e compras, e dê um limite para cada uma.
Um limite por mês é abstrato. Por isso, transforme em semana ou dia: R$ 400 de lazer no mês são R$ 100 por semana. Fica muito mais fácil saber, na hora de gastar, se ainda cabe.
Passo 5: coloque as parcelas e as dívidas no plano
Parcelas do cartão e dívidas não são surpresa: você sabe quanto vai cair em cada mês. Coloque esses valores no orçamento dos meses em que vão vencer. Se houver dívida cara, como rotativo ou cheque especial, ela vem antes de qualquer outra meta, porque os juros crescem mais rápido do que qualquer investimento seguro rende.
Passo 6: compare o previsto com o realizado toda semana
Orçamento que fica numa gaveta não funciona. Reserve dez minutos por semana para comparar o que você planejou com o que aconteceu. Não precisa anotar tudo todo dia. Basta olhar a semana, ver quais categorias estão perto do limite e ajustar o restante do mês.
| Grupo | Previsto | Realizado |
|---|---|---|
| Gastos essenciais | R$ 4.000 | R$ 4.080 |
| Gastos não essenciais | R$ 2.000 | R$ 1.850 |
| Investimentos e dívidas | R$ 1.200 | R$ 1.200 |
| Sobra | R$ 800 | R$ 870 |
Valores de exemplo, para uma renda de R$ 8.000.
E se a minha renda varia todo mês?
Para quem é autônomo, trabalha por comissão ou tem renda que muda de um mês para outro, o orçamento precisa de um cuidado a mais. Calcule a média da renda dos últimos seis meses e monte o orçamento com um valor abaixo dela. Nos meses bons, o que passar desse valor vai para a reserva. Nos meses fracos, a reserva cobre a diferença. Na prática, é como pagar um salário fixo para você mesmo.
Por isso, a reserva de emergência de quem tem renda variável costuma ser maior, de seis a doze meses de custo de vida.
Orçamento a dois
Quando a casa é dividida, uma forma que costuma funcionar bem tem três partes: as contas da casa divididas de forma proporcional à renda de cada um, uma parte individual que cada pessoa usa sem precisar dar satisfação e uma meta em comum. E uma conversa por mês, em hora calma, nunca logo depois de um gasto que incomodou.
Quando o mês sai do plano
Vai acontecer, e está tudo bem. Um imprevisto, um mês com aniversário, uma conta mais alta. Quando isso acontecer, não abandone o orçamento. Ajuste: tire de uma categoria não essencial para cobrir a diferença e siga. Se o imprevisto for grande, é para isso que existe a reserva de emergência.
O objetivo não é acertar todos os números. É saber, a cada semana, onde você está e o que fazer em seguida.
- Previsto de cada grupo a partir da média de 3 meses
- Gastos essenciais garantidos primeiro
- Valor de guardar transferido no dia do salário
- Limite por categoria nos gastos não essenciais, por semana
- Parcelas e dívidas nos meses em que vencem
- Dez minutos por semana para comparar previsto e realizado